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A importância da socialização – Nossos pais…

Posted by Deborah Diniz on 29 julho, 2013 in Comportamento, Relacionamento, Sociedade |
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Já se perguntou se sua profissão foi realmente você quem escolheu? Se você gosta de usar o seu estilo porque você acha bacana? Se seu namorado você escolheu por vontade própria ou para agradar alguém? Se você mantém seu relacionamento por vontade própria ou para causar e/ou gerar algum impacto social? Se seus amigos, são escolhas suas ou escolhas sociais? Quem influencia suas escolhas? Porque mudar quando estamos perante alguém com maior poder (econômico, cultural, social, ou qualquer outra categoria)? Porque temos necessidades de agradar a todos? Porque temos necessidade de agradar aos nossos pais?  Qual o papel da família na socialização de um indivíduo?

 

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Alguns autores famosos sobre pedagogia, biologia, psicologia e filosofia (Piaget, Vygotsky, Wallon, e entre outros milhões), tentaram nos mostrar que a capacidade de conhecer e aprender se constrói através de trocas estabelecidas entre o sujeito e o meio em que vive…ou seja…que é a partir do meio em que você cresce e se relaciona que são construídos os primeiros passos de nossa socialização.

Estes autores nos enxergam como uma “tela em branco”, que é pintada e construída de acordo com as “vontades” e acontecimentos do meio em que vivemos. Através do contato com o próprio corpo, com o ambiente, bem como através da interação com outras crianças e adultos, que vamos desenvolvendo a capacidade afetiva, a sensibilidade, autoestima, o raciocínio, o pensamento, a linguagem…

Socialização é o processo através do qual um indivíduo se torna um membro “pertencente” de uma comunidade, assimilando hábitos e a cultura que lhe é própria. É um processo contínuo que se inicia pela “imitação” na infância e continua por toda a vida por meio da comunicação verbal e não verbal.

 

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É na família onde exercitamos as primeiras trocas sociais e posteriormente na escola com os colegas e com figuras de autoridade, como por exemplo, o professor. A criança que entra na fase escolar com uma segurança básica diante de suas capacidades estará mais habilitada a se lançar em novos vínculos, novas trocas podendo assumir sua individualidade no grupo. Dificuldade de se “ajustar” socialmente pode aparecer desde muito cedo, por exemplo, uma criança que tem todas as suas vontades atendidas de imediato poderá ter dificuldades em tolerar frustrações quando chegar na fase da adolescência ou fase adulta. Já uma criança insegura, poderá fazer de tudo para ser aceita, por vezes não respeitando os limites e nem as regras, para forçar muitas vezes a empatia alheia.

Ou seja, a nossa primeira socialização, que é o contato com nossos pais ou cuidadores, definem nossas escolhas, inseguranças, personalidade e repetições de comportamentos que temos ao longo da vida. É na primeira relação com a figura materna, ou com um cuidador substituto, que o bebê vai  estabelecer o senso de confiança básica no ambiente que o cerca.

 

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Refletindo sobre os nossos primeiros contatos na infância, conseguimos entender por vezes o porque temos alguns comportamentos que não gostaríamos de ter.

Um exemplo de uma paciente (que chamarei de A): Chega ao consultório e reclama de seu relacionamento atual e de todos os outros relacionamentos. Afirma que não consegue escolher o homem certo, que sempre é traída e que nenhum homem no mundo presta. Diz que sempre suas escolhas giram em torno de relações com tendências à infidelidade (de forma inconsciente, é claro), e que não entende o porque sempre escolhe o homem errado. Com o passar do tempo e muita terapia, pude descobrir que A estava repetindo um comportamento aprendido na infância. Descobri junto com a paciente que sua mãe conviveu com um homem infiel, a qual declarava amor eterno, durante muitos anos. Neste caso entendo que A aprendeu na sua primeira socialização (infância), que é possível amar uma pessoa que infiel (vide o exemplo de sua mãe), e por isso, além de A repetir esse comportamento, essa exigência de fidelidade, inconscientemente, acaba não passando em seu “crivo” de exigências ao realizar a escolha de seu parceiro.

Outro exemplo, paciente B, onde sempre se relaciona com homens agressivos. Depois de um tempo de terapia descobri que B sofreu agressão de seu pai na infância. Ou seja, essa característica de agressividade acabou não entrando no seu filtro de exigências ao realizar sua escolha, por simplesmente entender, de forma inconsciente, que a agressão pode estar relacionada à uma forma de afeto, uma vez que seu pai (que a amava), também a agredia.

Assim como já vi pessoas permaneceram em relações falidas por receio de desagradar os pais, que “mesmo com todas as dificuldades da vida permaneciam casados”. Outro padrão de comportamento adquirido na primeira socialização e refletido como um padrão de comportamento (chamado na psicologia por Compulsão de Repetição).

 

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São inúmeros exemplos que poderia citar, mas minha intenção é chamar a atenção para a importância de nossa primeira socialização, e como esta socialização esta ligada a diversos comportamentos que se repetem infindavelmente sem darmos conta da gravidade de sua força.

Na terapia temos como identificar esses padrões de comportamentos, essas repetições compulsivas e os motivos inconscientes que nos levam a essas escolhas. Sempre que possível reflitam sobre isso. Trazer para a consciência o motivo das suas repetições já é o primeiro passo efetivo para um novo caminho e uma nova vida (com possibilidade de escolhas saudáveis e equilibradas).

 

 

 

 

 

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